19 de fevereiro de 2011

Lisboa-Valência: duas horas de inferno

Na posse de um bilhete da TAP, o autocarro que nos leva ao aeroporto parou perto desta avioneta. "Não pode ser este", pensei. Mas era, e o inferno estava quase a começar.


Primeiro, quem tinha bagagem de mão teve que deixá-la na pista e era colocada junto das outras, no porão (se é que se pode chamar porão, era mais a bagageira), porque estas avionetas não têm compartimento para malas por cima dos bancos. No fundo, é uma espécie de autocarro. O piloto recebe os passageiros, cumprimenta e indica-nos as escadas. Depois entra, fecha a porta e conduz! 

No interior era tudo tão bom ou melhor que o exterior: à nossa espera estava um pacote com uma pequenina sandes, uma garrafa de água e tampões para os ouvidos. Sim. É verdade, tampões para os ouvidos. Mas são este tipo de pormenores que me faz ter mais consideração por uma companhia aérea. Com os tampões consegui chegar com um grau menor de surdez e apenas dor de cabeça moderada. Imagino sem eles.

A partir do momento em que as hélices começam a funcionar, aquilo treme por todos os lados (estilo cadeira de massagens) e o barulho é impossível. As instruções de segurança são uma cassete (porque não acho possível que haja equipamento electrónico muito recente ali dentro) de que apenas se ouve um grunhido ao longe por causa do barulho das hélices. Não havia sinal luminoso que avisasse quando se deve ter o cinto de segurança colocado, portanto íamos em auto-gestão, havendo quem se tenha levantado quando já estávamos quase a aterrar. A casa de banho era um buraco horrível no fundo do avião que ninguém se atreveu a usar, para não falar do frio que passei, porque o aquecimento provavelmente queimava os fusíveis! 

A tudo isto juntem o efeito do vento e da chuva que esteve a semana passada. Mas não era caso para alarme: a mensagem de segurança escrita nas costas de cada banco indicava: "Em caso de emergência use o assento para flutuar"!

Este era o aspecto interior: por melhor que pareça, acreditem que não era! 



nota: esta viagem teve uma sequela:  "Lisboa-Valência: duas horas de inferno - o regresso" 

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